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Wednesday, September 05, 2012

ANTOLOGIA DE PENSADORES 1970-III

1-2 - 70-06-14-ls- segunda-feira, 9 de Dezembro de 2002-scan

A DIALÉCTICA EM ACÇÃO:
NOVA RELIGIÃO OU
A GRANDE SÍNTESE QUE SE PROCURA?
14-06-1970 - Fundamentalmente questão de equilíbrio - logo de movimento - a dialéctica nunca poderá ser operação simplesmente mental.

O seu uso e exercício depende, como qualquer outra arte, de uma técnica inicial e logo de uma aprendizagem, mas também de pendor inato, de certo talento e, digamos o chavão metafísico, de vocação.

Adquire-se e aprende-se a técnica e ciência que nela haverá, mas virá a depender muito da arte que nela se puser. Arte, quer dizer, de intuição, de poder imaginário, de espontâneo raciocínio, etc.

Porque ser dialéctico na acção é relacionar tudo constantemente com tudo, detectar afinidades, superar antinomias, unir campos desavindos, contrapor teses ou teorias antagónicas, reconciliar termos antinómicos, o que não se consegue por operações analíticas sucessivas mas por sucessivas operações de síntese.

Agir no pensamento e pensar na acção (como provam hoje os lideres mundiais da dialéctica) exige, não há dúvida, vocação... Assim as circunstâncias históricas a coadjuvem e vê-la-emos nascer, florir, frutificar.

Compreender, compreender, compreender.

PENSAMENTO DE ENCRUZILHADA

O encontro de Marx e Freud significa nos pensadores da Escola de Frankfurt (Fromm, Adorno, Marcuse, Benjamim) um esforço de aproximação que, mesmo quando não reconhecido de boa vontade, fez recuar os "handicaps" da tecnicidade e avançar, portanto, o espírito vivo do humano, sobreposto às antinomias dilacerantes.

Quando Sartre critica a razão dialéctica, e escreve o seu famoso prefácio sobre a questão do Método, abre caminho a uma faina capital do homem contemporâneo: tentar o entendimento, convívio e aggiornamento do colectivo e do existencial, digamos, entre marxismo e existencialismo.

Já agora, não se menospreze o que tem sido o braço estendido de Garaudy às alas mais progressivas do pensamento católico, e o que tal significou de heresia para os ortodoxos mais ortodoxos... Mas a verdade ou o caminho a caminho dela, não será sempre herética?

Althusser e Lucien Sebag seriam, já agora, momentos assinaláveis do encontro estruturalismo-marxismo.

Dir-se-á que resulta de tudo isto um inquietante ecletismo? Ou uma abertura à reconciliação do homem consigo próprio, dividido nas teorias que o tentam explicar?

Contributo a uma panorâmica no campo teórico, devem citar-se os Encontros Internacionais de Genebra que anualmente fazem a mise au point dos temas e problemas capitais. Os que ali concorrem, não vão para mudar de opinião ou teoria, mas o confronto e vivo debate entre elas servem ao leitor, visam uma pedagogia não do ecletismo mas da síntese.

Lugar onde do pensamento e ponto de encontro de pensadores, os Encontroa de Genebra não fazem nenhuma revolução mas antecipam a mentalidade planetária, ecuménica e universalista de amanhã. A Civilização do Universal será um título de René Maheu, director-geral da UNESCO.

NOVA RELIGIÃO OU A GRANDE SÍNTESE QUE SE PROCURA?

Fala-se de uma nova religiosidade que, sob formas mais ou menos disfarçadas, estaria a invadir o campo do ateísmo generalizado. Mas o que talvez esteja a suceder não será bem um retorno (nunca se retorna) a formas de religiosidade, mas à reintegração num estado psíquico essencial e totalizante que a devoção religiosa em certa medida preenchia, após já a degradação da unidade que a experiência mágica muito melhor possibilita.

A metafísica teria falhado nessa tarefa de substituir Deus no coração dos homens. E hoje se procuraria o "ponto central" ou a grande síntese, parecendo tudo isso (por ser parecido) a mesma coisa - mas não sendo. Na espiral da evolução, algo se assemelha sempre a algo e tudo é diferente de tudo.
Reabilitando a magia, o surrealismo sabe porque o fez: a magia é à sua maneira uma dialéctica mais completa do que a dos livros, uma técnica de exorcismar forças e forçar a realidade a obedecer-lhes, uma forma de (sub)-entendimento entre o homem e o mundo muito mais eficaz do que a religião ou a metafísica.

A técnica, fórmula evoluída de magia e processo de dominar a natureza, apenas lhe falta para ser uma grande coisa em vez de uma coisa perniciosa, aplicar-se onde a magia natural e espontaneamente se aplicava: o poder do homem sobre si próprio. À técnica apenas lhe falta descobrir o poder do homem sobre si próprio.

DIALÉCTICA DA IMAGEM

A metáfora é a dialéctica da imagem.

Nem outra foi a importância do surrealismo em geral e das suas descobertas em particular: o discurso automático, o non-sense, o humor negro, a colagem, permitindo associações a distância de todos os tipos, permitiam e fomentavam o encontro dos desavindos, a aproximação dos distantes, o confronto dos contrários.


A metáfora ou imagem poética deixa então de ter uma função de embelezamento ( função da escola romântica) para passar à categoria de conhecimento.

O pensamento analógico desafia então o pensamento lógico para saber qual dos dois traduz com maior fidelidade o movimenta da vida, a multiplicidade do mundo, a complexidade do homem.


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