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Wednesday, September 05, 2012

OS MECANISMOS DA IMAGINAÇÃO

1-2 -70-06-14-ls- leituras do ac - 4100 caracteres-calao-literat-manifest-terça-feira, 3 de Dezembro de 2002

CALÃO E LINGUAGEM POÉTICA
CALÃO E VANGUARDA LITERÁRIA
OS MECANISMOS E DISPOSITIVOS DA IMAGINAÇÃO

14/Junho/1970 - A cada grupo sociocultural (e até a cada estrato ou classe) corresponde uma linguagem ou estrutura linguística.

O calão usado por certos escritores, como James Farrell, é uma das grandes descobertas (poéticas) feitas pela literatura de vanguarda, a pop-literatura que não deve confundir-se com as vanguardas elitistas de experimentalismos, novos romances e que tais. Enfim, com os muitos neo-academicismos de que está cheio o campo da chamada e alegada Modernidade literária.

Assim como a criança, o louco, selvagem têm as suas estruturas linguísticas próprias, os seus uni-versos ou unidades culturais, também o «lumpen-proletariat» pode ter a sua.

Allen Ginsberg, ao citar escritores de quem se sente mais influenciado, refere Jean Genet e o seu poder de usar o calão como forma literária.

James Farrell teria sido um dos primeiros americanos a explorar o grande campo «pop» do calão e a força literária de raiz que dele se extrai.

Pelo calão, compreendemos como a experiência literária é indesligável de uma experiência existencial, humana, socio-cultural (se se quiser usar o calão sociológico corrente...).

Henry Miller, Jean Genet, Violette Leduc, Albertine Sarrasin, Carlo Emidio Gada, James Baldwin, Pier Paolo Pasolini, Caryl Chessmann, Jerzy Kosinski, William Burroughs, vieram quase todos do cano de esgoto.

Pelo calão se sabe também como o calão anda tão perto do máximo de originalidade, de imaginação e de criação poéticas, do mínimo de ênfase e estrato cultural.

Calão é uma variante da linguagem poética e pode colocar-se ao lado de outros mecanismos que accionam e fomentam a imaginação: colagem, discurso automático, humor, associação a distância, etc.

Recorde-se o que significa para Georges Bataille este corpo-a-corpo do escritor com o Mal e o que ele entendia da literatura e o que a literatura deveria, em essência, ser (embora utilitariamente possa ser muitas outras coisas): o tal corpo-a-corpo com a Heresia. O calão é uma das linguagens da Heresia.

Reivindicando uma literatura «malcriada», está-se a bolir com os estratos de vencidos, de humilhados e ofendidos -- o Quarto Mundo do «underground» -- que não têm maneiras nem palavras polidas, que não têm mesmo palavras (já se falou no «silêncio do subdesenvolvimento» através de três filmes recentes: «A Ilha Nua», de Kaneto Shindo, «Vidas Secas» e «Remparts d'Argile» de Bertuccelli), indivíduos e povos que não têm maneiras educadas, morais, decentes, elegantes da classe possidente, a classe que empurra para o esgoto os detritos humanos que vai subproduzindo, a classe que aferrolha os indesejáveis em guetos da periferia, a classe que enche os cárceres e os hospitais com as vítimas que vai fazendo.

É triste ver como, em certo sentido, certo neo-realismo não fez mais do que linguajar à pipas, à fina, à classe dominante.

Exemplos portugueses de «literatura malcriada» há poucos mas ainda há alguns: Fialho de Almeida, Raul de Carvalho, António José da Silva, Gil Vicente, Camilo, Luís Pacheco, Virgílio Martinho, Cesariny, Gomes Leal.

14/Junho/1970♠












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ANTOLOGIA DE PENSADORES 1970-III

1-2 - 70-06-14-ls- segunda-feira, 9 de Dezembro de 2002-scan

A DIALÉCTICA EM ACÇÃO:
NOVA RELIGIÃO OU
A GRANDE SÍNTESE QUE SE PROCURA?
14-06-1970 - Fundamentalmente questão de equilíbrio - logo de movimento - a dialéctica nunca poderá ser operação simplesmente mental.

O seu uso e exercício depende, como qualquer outra arte, de uma técnica inicial e logo de uma aprendizagem, mas também de pendor inato, de certo talento e, digamos o chavão metafísico, de vocação.

Adquire-se e aprende-se a técnica e ciência que nela haverá, mas virá a depender muito da arte que nela se puser. Arte, quer dizer, de intuição, de poder imaginário, de espontâneo raciocínio, etc.

Porque ser dialéctico na acção é relacionar tudo constantemente com tudo, detectar afinidades, superar antinomias, unir campos desavindos, contrapor teses ou teorias antagónicas, reconciliar termos antinómicos, o que não se consegue por operações analíticas sucessivas mas por sucessivas operações de síntese.

Agir no pensamento e pensar na acção (como provam hoje os lideres mundiais da dialéctica) exige, não há dúvida, vocação... Assim as circunstâncias históricas a coadjuvem e vê-la-emos nascer, florir, frutificar.

Compreender, compreender, compreender.

PENSAMENTO DE ENCRUZILHADA

O encontro de Marx e Freud significa nos pensadores da Escola de Frankfurt (Fromm, Adorno, Marcuse, Benjamim) um esforço de aproximação que, mesmo quando não reconhecido de boa vontade, fez recuar os "handicaps" da tecnicidade e avançar, portanto, o espírito vivo do humano, sobreposto às antinomias dilacerantes.

Quando Sartre critica a razão dialéctica, e escreve o seu famoso prefácio sobre a questão do Método, abre caminho a uma faina capital do homem contemporâneo: tentar o entendimento, convívio e aggiornamento do colectivo e do existencial, digamos, entre marxismo e existencialismo.

Já agora, não se menospreze o que tem sido o braço estendido de Garaudy às alas mais progressivas do pensamento católico, e o que tal significou de heresia para os ortodoxos mais ortodoxos... Mas a verdade ou o caminho a caminho dela, não será sempre herética?

Althusser e Lucien Sebag seriam, já agora, momentos assinaláveis do encontro estruturalismo-marxismo.

Dir-se-á que resulta de tudo isto um inquietante ecletismo? Ou uma abertura à reconciliação do homem consigo próprio, dividido nas teorias que o tentam explicar?

Contributo a uma panorâmica no campo teórico, devem citar-se os Encontros Internacionais de Genebra que anualmente fazem a mise au point dos temas e problemas capitais. Os que ali concorrem, não vão para mudar de opinião ou teoria, mas o confronto e vivo debate entre elas servem ao leitor, visam uma pedagogia não do ecletismo mas da síntese.

Lugar onde do pensamento e ponto de encontro de pensadores, os Encontroa de Genebra não fazem nenhuma revolução mas antecipam a mentalidade planetária, ecuménica e universalista de amanhã. A Civilização do Universal será um título de René Maheu, director-geral da UNESCO.

NOVA RELIGIÃO OU A GRANDE SÍNTESE QUE SE PROCURA?

Fala-se de uma nova religiosidade que, sob formas mais ou menos disfarçadas, estaria a invadir o campo do ateísmo generalizado. Mas o que talvez esteja a suceder não será bem um retorno (nunca se retorna) a formas de religiosidade, mas à reintegração num estado psíquico essencial e totalizante que a devoção religiosa em certa medida preenchia, após já a degradação da unidade que a experiência mágica muito melhor possibilita.

A metafísica teria falhado nessa tarefa de substituir Deus no coração dos homens. E hoje se procuraria o "ponto central" ou a grande síntese, parecendo tudo isso (por ser parecido) a mesma coisa - mas não sendo. Na espiral da evolução, algo se assemelha sempre a algo e tudo é diferente de tudo.
Reabilitando a magia, o surrealismo sabe porque o fez: a magia é à sua maneira uma dialéctica mais completa do que a dos livros, uma técnica de exorcismar forças e forçar a realidade a obedecer-lhes, uma forma de (sub)-entendimento entre o homem e o mundo muito mais eficaz do que a religião ou a metafísica.

A técnica, fórmula evoluída de magia e processo de dominar a natureza, apenas lhe falta para ser uma grande coisa em vez de uma coisa perniciosa, aplicar-se onde a magia natural e espontaneamente se aplicava: o poder do homem sobre si próprio. À técnica apenas lhe falta descobrir o poder do homem sobre si próprio.

DIALÉCTICA DA IMAGEM

A metáfora é a dialéctica da imagem.

Nem outra foi a importância do surrealismo em geral e das suas descobertas em particular: o discurso automático, o non-sense, o humor negro, a colagem, permitindo associações a distância de todos os tipos, permitiam e fomentavam o encontro dos desavindos, a aproximação dos distantes, o confronto dos contrários.


A metáfora ou imagem poética deixa então de ter uma função de embelezamento ( função da escola romântica) para passar à categoria de conhecimento.

O pensamento analógico desafia então o pensamento lógico para saber qual dos dois traduz com maior fidelidade o movimenta da vida, a multiplicidade do mundo, a complexidade do homem.


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ANTOLOGIA DE PENSADORES 1970-II


70-06-14-LS- segunda-feira, 9 de Dezembro de 2002-scan

SÍNTESE NA EXPERIÊNCIA

[ 14-6-1970] - A necessidade de síntese é outro leit-motiv dos artigos ali apresentados. A vivência ou experiência apresenta-se a quase todos como parte integrante e vital de um novo, de um próximo, de um futuro humanismo. A síntese realiza-se, desta feita, no laboratório de cada um. Ensaiar o pensamento é apresentar um itinerário, pontuado de datas, um diário de pesquisas e inquietações.

O verdadeiro pensador contemporâneo do futuro não notifica o pensar alheio ( o imprescindível para prefaciar o seu) ou as alheias experiências. Não vive nem pensa por procuração. Realiza em si, por necessária assimilação, a síntese de todas as análises. Recria a ordem a partir do caos de conhecimentos a que a divisão das ciências reduziu o homem moderna.

Falar de si é sempre e afinal mais importante (porque original e global) do que falar de algo exterior e estranho. Testemunhar parece o caminho de um filosofar prospectivo, que cada vez mais desdenha o discurso erudito, a oração de sapiência, o cadeirão académico, que se recusa a mimetizar e a reproduzir. No caos das ciências subdivididas e multiplicadas, o conhecimento humaniza-se pela prática ("connaitre" é "nascer com"), a teoria vitaliza-se.

ACTORES DA HISTÓRIA

Pensar a História e comparticipar simbolicamente da acção, eis o consciente ou inconsciente objectivo do que procura trocar o laboratório, a cátedra ou o gabinete pelo mundo a transformar.

A primeira civilização que se contesta a si própria (André Malraux) é também a civilização em que se perdeu a "identidade entre o homem e o cosmos, entre o Homem e Deus" (ainda segundo Malraux) .


Pela filosofia e seus teóricos, procura-se a unidade ou identidade perdidas. Mas a filosofia, enquanto linguagem, é ainda símbolo desligado das coisas. O filósofo novo procura, pois, (Malraux exemplifica ao fazer das suas anti-memórias uma suma filosófica) reunificar o mundo através da experiência-vivência, da qual não pode nem quer desligar a teoria.

Mais ou menos, este índice é comum aos escritores apresentados: filosofam pela experiência e, tendo a noção explícita ou implícita da dualidade filosofia-história, pensamento-acção, teoria-prática, procuram a unidade sendo actores e agentes dessa história. No acto e na acção de escrever.

Pensam a História enquanto comparticipam simbolicamente da acção.

Maio de 1968 serve de exemplo à vaga de síntese (o essencial do essencial) que caracteriza, por causa e por efeito, o pensamento de uma circunstância revolucionária. Todo o supérfluo e analítico se substituem, então, por força da eficácia requerida na acção, da urgência na síntese.

Na vasta literatura inerente, se há casos de psitacismo inútil, podem no entanto ver-se outros típicos da palavra-experiência, do pensamento-acção. Especialmente, é claro, se nos reportarmos aos líderes, aos actores, e não aos comentaristas ou aproveitadores do sucesso.

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ANTOLOGIA DE PENSADORES 1970-I

70-06-14-ls- segunda-feira, 9 de Dezembro de 2002-scan

IMAGE+ACTION = IMAGINACTION
OU A FILOSOFIA CONTRA A TECNICIDADE

14/Junho/1970 - Curioso fenómeno de transfert é o que se verifica nas atribuições específicas hoje preconizadas, em face das possibilidades abertas pela tecnologia ao fabrico do que antes se entendia criado.

Quer dizer: enquanto a música se abeira, sistematicamente, não só do cálculo matemático mas dos ordenadores - que tomam o lugar executivo do compositor, ficando este embora com o encargo de pensar a obra, de a ditar -, enquanto os poetas entregam também aos computadores o encargo de fabricar as endechas que eles já desistiram de criar, os cientistas e filósofos da ciência, talvez desiludidos com o que estarrece e fascina os não técnicos (sempre somos um pouco pacóvios e provincianos em relação às especialidades dos outros...) aplicam-se aos campos da imaginação criadora - tradicionalmente feudo privado de escritores, artistas, poetas e demais "reveurs".

É uma espécie de intercâmbio, segundo a lei das compensações: os artistas vão sujeitar-se à disciplina positiva das matemáticas; o filósofo, o técnico, o economista procuram exorbitar dessa disciplina e reganhar o imaginário, quer dizer, a experiência-vivência não permitida pelo uso e abuso da máquina. A máquina faz tudo por nós...

Alguns dos artigos aqui inseridos são viva prova disso: homens saídos dos áridos campos da Economia, da Política, da Sociologia, da Ecologia, afirmam-se entusiastas de uma Prospectiva que é, nem mais nem menos, do que a imaginação aplicada em campos de onde tradicionalmente se considerava avessa e arredia.

Josué de Castro ilustra o que dizemos.
Prodigioso génio da síntese e criador vertiginoso do essencial, do que importa, do que marca, até pela clareza expositiva do seu estilo ele é bem um artista, um criador, um agente activo da cultura.

Com ele, o cientista deixa de ser um técnico mas sem abandonar a mais estrita tecnicidade para ser o que faz o permanente intercâmbio entre as especialidades parcelares e as generalidades globais.

Edgar Morin é outro exemplo do investigador "possesso" de imaginação e de poder criador. Mesmo como filósofo (e porque vive a dialéctica em ver de unicamente a teorizar) Edgar Morin cria, quer dizer, nele são indissociáveis Imaginação e Acção.

A ele se aplica, com propriedade, o feliz neologismo de que Alfred Willener fez centro e título da sua última Obra: Image-Action de la Société ou la Politisation Culturelle (Ed. Seuil). Image+Action = Imaginaction: aqui se contém todo um programa.

A imaginação no poder, que André Malraux, na entrevista à Der Spiegel aqui reproduzida, considera uma utopia, é de facto uma utopia: simplesmente para a nova geração de pensadores, acção, poesia, dialéctica e pensamento parecem estar a viver um processo de perfeita simbiose. Já ia sendo tempo de vermos a dialéctica passar dos livros ao único lugar onde existe: a vida, seja ela, a das coisas seja a dos símbolos.

A música e a poesia por computadores apenas transferem para outros campos os problemas da hiper-análise que antes pareciam exclusivo das ciências e técnicas. Apenas adiam os problemas.

Tempo virá em que o músico e o poeta "como técnicos" sintam a mesma necessidade de religação à unidade ou totalidade vivencial, a mesma urgência de reidentidade que toca o homem alienado (desidentificado consigo) necessariamente sente.

Talvez o reencontro seja então decisivo: nessa altura já todos - artistas e investigadores - atravessaram a trágica experiência do parcelamento, da desintegração, da hiper-reificação. E então, também aí a dialéctica em acção e a acção dialéctica será um processo irreversível.

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A LIBERDADE NO TRAJECTO AC

1-1 - 70-06-14-ls-segunda-feira, 9 de Dezembro de 2002-scan

A RAZÃO DE OUTRAS RAZÕES (*)

14-06-1970 - Não seria difícil encontrar os pontos comuns que aproximam os vários testemunhos compilados neste livro (1): pensamento de vanguarda, em todos eles existe a preocupação de analisar e criticar o presente, visionando, contudo, as necessidades e virtualidade de amanhã.

Um ponto há comum a quase todos: a relatividade cultural.

Quer dizer: cada vez se compreende melhor que o homem, na acepção de espécie ou raça humana, não é apenas o ocidental, segundo os padrões e modelos que foi mais ou menos impondo a todo o mundo.

Há o direito e a urgência de dar voz a outras vozes, de fazer entrar na História outros tipos culturais (outras "epistemologias", diria Foucault) e a antropologia, finalmente ciência porque universal, abre-se às novas formas do humano, conhecidas e por conhecer, até agora menosprezadas ou ignoradas, porque a espécie se apresenta de facto una mas diversa, susceptível de diversos padrões de comportamento que são outros tantos universos culturais.

Especialmente Desmond Morris, Arthur Koestler e Michel Foucault, acentuam a urgência de dar razão às outras razões que não apenas a greco-latina, romana, judaica e adjacentes.

Caminhar-se-á, de facto, para um mundo de tolerância, embora através de intolerâncias e violências sem conta?

Haverá um equilíbrio universal, de que muitas vezes nos não apercebemos, dentro da nossa óptica forçosamente limitada porque humana, mas que testemunhos como alguns dos que aqui divulgamos nos ajudam a consciencializar, lenta e penosamente como todo o processo gestativo?

Sempre que observamos uma hipertrofia, um desequilíbrio ou um paroxismo, não haverá sempre, algures e em surdina, em silêncio e anonimamente, o seu contraponto positivo, o seu termo de correcção, o seu contrário dialéctico?

Sem esta esperança de três interrogações, a História, de facto, apodreceria sem remédio e à espécie humana não restaria mais do que uma asfixia gradual, nas carências primeiro, na abundância e no tédio, por último.

Não foi por acaso que ao termo alienação - que figura no título dessa breve antologia - quisemos adiantar o de liberdade. Se são mais intensos, audíveis e trágicos os sinais da primeira, não deixam, porém, de ouvir-se já, através de alguns porta-vozes ou mais lúcidos, ou mais sensíveis, ou mais prospectivos, os sinais da segunda.

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(1) - "Alienação e Liberdade no Pensamento Contemporâneo", textos de John Robinson, Arthur Koestler, Michel Drancourt, Alfred Fabre-Luce, Jean William Lapierre, André Amar, Desmond Morris, Michel Foucault e Raymond Aron. Colecção "Cadernos do Século", nº 7, Ed. "O Século", Lisboa, 1970.


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Wednesday, August 16, 2006

F. BERMUDES 1993

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DIÁRIO DE UM APRENDIZ
EXERCÍCIO DE EMERGÊNCIA COM FÉLIX BERMUDES


«O Homem Condenado a ser Deus»?


Lisboa, 18/8/1993

1 - Teósofos como Félix Bermudes, na obra «O Homem Condenado a ser Deus», Civilização Brasileira, Rio, 1974, exprimem-se através de nomenclaturas que, para o leitor vulgar, aparecem extremamente difíceis de «traduzir». Palavras de origem sânscrita, por exemplo, ou retiradas da tradição hinduísta, colocam aos leitores de línguas europeias problemas por vezes insolúveis de compreensão, de interpretação. Mas é sobre essa babel de idiomas que temos de caminhar quando estudamos matérias (e campos energéticos) que escapam ao conhecimento e discurso da ciência experimental. Às leis de causa e efeito. Para o bem e para o mal, os esquemas de organização hierárquica do Cosmos (os mapas do invisível) devem ser considerados com grande atenção e cuidado. E um método seguro, exacto, universal como a RA oferece um instrumento de análise imprescindível para ultrapassar essa babel. A RA não vem anular os bons contributos dados ao ser humano por algumas correntes, algumas das quais degeneraram em escolásticas. Enquanto tivermos o vasto campo da exegese para atravessar, a Hipótese Vibratória é uma bússola preciosa que nos permite seguir as vias mais certas e evitar as que são claramente equívocas. Uma coisa é certa: com ou sem RA, só há este caminho.

2 - Eis algumas citações curiosas colhidas no livro «O Homem Condenado a Ser Deus», de Félix Bermudes:

Seria curioso, por exemplo, para quem tiver tempo e paciência, fazer o cálculo da velocidade precisa para que a constelação de Hércules, com as suas 113 estrelas, descrevesse uma volta em torno do nosso planeta, nas 24 horas terrestres que as populações antigas concediam ao universo inteiro para a executar. - OHCSD,46

As condições da época não os deixaram produzir mais nem menos, mas ficaram habilitados para maior tarefa em posteriores encarnações e prepararam a humanidade para uma fase ulterior de progresso. - OHCSD,47

Temos de reconhecer que a nomenclatura exerce apenas a missão simbólica de nos fornecer analogias, que nos permitem formular, num mundo a três dimensões, uma concepção do que se passa naquelas esferas inacessíveis, ao próprio pensamento. Entre estas analogias e as realidades que elas tendem a trazer à nossa razão, há a distância que vai da célula embrionária ao indivíduo perfeito. - OHCSD,

A expressão «planos» foi mal escolhida por quem fez a equivalência do sânscrito para as línguas europeias e só a adoptamos para conjugar a tecnologia desta obra com a que já encontrámos consagrada. Trata-se, na realidade, de «mundos», 7 esferas concêntricas que se interpenetram, formando um só globo, mas conservando-se diferenciadas na massa total pelo grau de densidade. Cada plano subdivide-se em 7 sub-planos, diferenciados segundo a densidade. Do primeiro ao último destes 49 estados de matéria, a densidade atómica vai aumentando progressivamente, sempre na potência de 7, número consagrado do sistema. (...) estamos encarecidamente com o paciente leitor para fixar bem que ao empregarmos relativamente aos «planos» as expressões «em cima» ou «em baixo», «superior» ou «inferior», «mais alto ou mais baixo», não aludimos a lugares superpostos como prateleiras, mas a graus de densidade dentro de um grande mundo, que contém em si próprio e no mesmo espaço 7 mundos diferentes. - OHCSD,49-50

Dos 49 estados da matéria em que se dividem os 7 planos, apenas 2 se revelam plenamente à nossa consciência normal - o sólido e o líquido do mundo físico. Já os corpos gasosos, quando não podemos identificá-los pelo cheiro, pela cor ou pelo efeito cáustico, escapam à percepção dos nosso sentidos (...) Podemos identificar conscientemente dois estados de matéria e reconhecer parcialmente um outro, mas 146 escapam completamente aos sentidos. - OHCSD, 59

Muitos membros da nossa família humana já ultrapassaram essa fronteira; um terço dos «egos» existentes está a tirar passaportes; mas 2/3 não têm ainda forças para tão exaustiva jornada e não poderão alcançar a gloriosa meta. Esta proporção de 1/3 que completa a romagem e 2/3 que ficam no caminho não se limita aos 2 biliões e meio de indivíduos que vivem neste momento em corpo físico; abrange igualmente a multidão enorme de «egos» actualmente desencarnados, vivendo nos seus corpos invisíveis para nós, em planos astro-mentais. São ao todo cerca de 60 biliões, dos quais apenas 20 chegarão com aproveitamento ao exame final. Os outros 490 biliões serão dados como inabilitados e transitarão em seu devido tempo para a cadeia seguinte. - OHCSD, 77

Não há almas condenadas por toda a eternidade; isso seria incompatível com a bondade divina e com o amor do Pai que nos criou; mas podemos considerar, dentro das nossas concepções relativas do tempo, que os que se deixaram atrasar perderão uma eternidade, para só regressarem à existência consciente na eternidade seguinte. Durante o imensurável período em que lhes for suspenso o contacto com a vida cósmica, as suas consciências ficarão adormecidas, como as princesas dos bosques encantados. - OHCSD, 79-80

A radiação de alta espiritualidade não está patente nos chacras mas sim nas auras que envolvem os corpos subtis e os tornam fulgurantes e belos, quando a uma poderosa inteligência se aliam nobres virtudes. No mundo físico, um sábio ou um santo que não tenham tempo para curar de elegâncias, ficam diminuídos em confronto com qualquer escroc internacional, tão perito na arte de vestir como na de roubar. Mas nos mundos subtis cada um veste-se de luz e de cores mais ou menos formosas e envolve-se em auras mais ou menos vastas e fulgurantes, na medida justa do seu merecimento. A confusão é impossível, porque ali ninguém pode vestir o alheio. - OHCSD, 107
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Sunday, July 23, 2006

JULIUS EVOLA 1995

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TESTE DE VERIFICAÇÃO DO VALOR VIBRATÓRIO (V.V.) - O SEXO DO VELHO COSMOS

[23-7-1995] - Carregado de influência hinduísta, o discurso de Julius Evola, no livro «A Metafísica do Sexo» (editora Afrodite), desnuda muitas das constantes filosóficas e teológicas que têm condicionado o chamado esoterismo moderno (neo-esoterismo).
Nesse sentido, o léxico de Julius Evola é particularmente sigificativo do valor vibratório que se pode ou não pode atribuir à teologia hindu.
Teste-se e verifique-se.

Segue-se uma lista A a Z de apoio à memória:
Âsana
Bindu
Çakti
Chih Kuan
Dakinî
Dvandvâtîtâ
Hetera
Hieros Gamos (Elêusis)
Hsing = ser?
Idâ
Iogini
Kali yuga (idade escura)
Kuei
Kundalini
Misteriosofia
Ming = vida?
Mudra (gestos simbólicos evocativos)
Nut = Mait = Hathor (deusa que possui a chave da vida)
Opus Transformationes
Phalus
Pingalâ
Purusha (deus impassível)
Yakshinî
Shekinah (mística judaica)
Telos (Afrodite)
Vajradhara
Vajrayâna
Vîria
Wu Chi (estado sem dualidade)

Divindades femininas do tipo afrodisíaco do ciclo mediterrânico:
Afrodite
Anaîtis
Athagatia
Ishtar
Iunini
Mylitta

Frase (com inspiração de Novo Cosmos) de Julius Evola in «A Metafísica do Sexo»:
«A separação dos sexos não é senão um facto humano relativo exclusivamente ao ser humano decaído.»
Scoto Erigena, in Evola, 262
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Friday, May 12, 2006

O MISTÉRIO DA ORIGEM E DOS FINS

bigmania > - editorial do gato ou net-novela

12-5-1970

A GRANDE NOITE DO CAOS

A negra maré, o caos, a dissolução, o vazio, o mistério da origem e do fim, as trevas, que pode o ser mísero e mesquinho, o rasteiro mortal para não se desintegrar face ao nada?
Tudo o que ele tenta é contra o Terror Horror. O que ele procura -- na tortura e nas viagens, nas lutas e conquistas, nas novas e antiquíssimas tecnologias, na política e na electrónica -- é o que totaliza, unifica, contrai, uniformiza, ordena. O que lhe dá, enfim, a ilusão temporária de eternidade.
De oceano infinito. De superfície espelhada, uniforme, sem rugas.
A ideologia consumista tenta responder a essa necessidade premente, a esse permanente horror de um confronto, de um frente a frente com o vazio, de cada um consigo mesmo, quer dizer, com Deus, quer dizer, com a Morte, o Nada, o Infinito, o Caos, o Universo, pela proliferação infinita de gadgets e objectos.
Hitler respondeu com a ideologia do sacrifício e da totalidade totalitária, com o ideal rácico e patriótico, capaz de abranger semanticamente uma fatia do real que imita, a olho nu, a Realidade.
Marshall Mac Luan respondeu com a Aldeia Global dos «media» electrónicos.
Salazar respondeu com as Finanças assimiladas com a Nossa Senhora de Fátima e o Milagre da Pátria.
Gandhi respondeu com a resistência satiagrai ao invasor ocidental, branco e ateu. Britânico, essência de todos os horrores.
Pedro o Grande respondeu com as glórias da Grande Rússia que tinha a vantagem de ser, comparativamente a Portugal, efectivamente grande -- o que se diz imensa.
A Alquimia respondeu com a Transmutação do Chumbo em Oiro!
O ideal de Riqueza, Beleza, Longevidade, Poder responde, entre greco-latinos & anexos mediterrânicos, e seus cânones, na tentativa de substituir o Caos por uma Ordem, pequena ou média, formal ou visionária, mas ordem.
As ordens iniciáticas, as sociedades secretas, respondem, pelo rigor e pela disciplina, pela comida espartana, pela cama rija de palhas ao desatino do que fica de fora e é disforme, dissonante, inarmónico.
O mito do Preste João, do Graal, da Taça templária, responde com um simulacro de ordem à Desordem, de alma ao Vazio, de Deus ao Buraco Negro e ao vazio da Morte.
Religiões, Seitas, Publicidade, Propaganda, especialmente a Propaganda, os Media, a Aldeia Global respondem electronicamente à necessidade de um Éden, mesmo ilusório, mas de um Éden onde o gozo só por si faça sentido e não tenha do outro lado um Cancro galopante.
A expomundial 93, a Europália 91, o Centro de Belém - mausoléu de todos os poderosos -- o Mercado Único 92, as Olimpíadas 92, a Expo 98, respondem à necessidade metafísica de calar o Remorso do Primeiro Mundo pela expoliação do segundo, do terceiro e do Quarto mundos.
Os Óscares, o Nobel, o Pulitzer, o prémio Lenine.
A repressão sangrenta unifica no Curdistão, no Tibete, no Timor-Leste.
O Papa dá, por dois dias, por dois tostões per capita, a ilusão de pertencermos à mesma ordem, ao mesmo casulo protector onde as ondas do Caos vêm bater raivosas mas aparentemente com menos violência.
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